BREVE HISTÓRIA DO BORDADO

A origem da arte de bordar sobre tecidos não é perfeitamente conhecida mas tudo leva a crer que tenha tido início na China. No entanto, sabe-se que, apesar de na actualidade estar conotada a uma prática feminina, foi inicialmente uma arte masculina.

Um pouco por todo o Mundo, o bordado tem sido referenciado, bibliograficamente, desde a Antiguidade.

Tornou-se um tipo de artesanato próspero em várias regiões do Mundo  e, tendo sido interpretado de diferentes formas pelos seus povos,  tornando possível identificar a sua origem de acordo com as suas características.

 

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MATERIAIS E UTENSÍLIOS

UTENSÍLIOS PARA BORDAR

Para dar início ao seu bordado, terá que possuir necessariamente uma agulha de bordar. As agulhas para bordar caracterizam-se por o buraco onde passa o fio ser mais alongado que o das agulhas padrão. Estas podem apresentar diversas espessuras e tamanhos que deverão ser escolhidos de acordo com o trabalho que irá executar.

Para além do essencial, também necessitará de uma tesoura de pontas.

Se for bordar a partir de um decalque, necessitará de um papel químico específico para tecido e que seja adequado à cor do tecido (escuro para tecidos claros e claro para tecidos escuros).

Um utensílio muito útil nesta prática é o bastidor, que permite esticar o tecido no ponto onde quer bordar. Existem bastidores de variados materiais e tamanhos.

 

Utensílios Bordado
Tecidos Bordado

TECIDOS PARA BORDAR

Não existem tecidos específicos para bordar porque na verdade qualquer material é passível de ser bordado, desde que seja suficientemente firme para segurar os pontos.

É claro que existem tecidos que se adequam mais a esta prática e outros são específicos para um determinado tipo de ponto (como é o caso dos tecidos reticulares, normalmente usados para fazer ponto de cruz ou de tapeçaria), mas é possível bordar em quase todo o tipo de tecido. Inclusivamente, podem bordar-se em cima de peças de crochet ou tricot.

Dependendo do seu objectivo final, deverá escolher um tecido que se adeqúe àquilo que pretende bordar.

 

FIOS DE BORDAR

Os fios de bordar podem ser de origem animal, vegetal ou ser fios sintéticos. Estes podem também ser feitos de combinações de fibras. Deverá escolher fios que se adequam ao tecido que pretende bordar e a agulha deve também ser a indicada para o tipo de fio.

Existe uma infinidade de cores de fios para bordar e é este facto que permite criar bordados muito realistas.

Cada marca de fios tem o seu próprio código de cores. Muitas vezes irão aparecer esquemas com os códigos correspondentes às cores que deverá bordar num determinado ponto e, normalmente, dirá também qual a marca a que esses códigos pertencem.

Estes fios podem ser comprados tanto na forma de novelo como na forma de meada e vêm acompanhados por um rótulo. O rótulo contém informações sobre o peso, o comprimento, a composição e o código associado à cor (que depende da marca).

Linhas Bordado

NOTAS DO BORDADO

NOTA 1

Sobre os Pontos

Existe uma quantidade gigantesca de pontos de bordado. Por serem tão numerosos, estes agrupam-se de acordo com o seu efeito e aplicação.

Assim, existem pontos de contorno, pontos rectos, pontos de laçada, pontos de cadeia, pontos de nó, pontos de cobertura, pontos compostos, pontos de entremeio, pontos de hardanger, pontos de tapeçaria e pontos ajourados.

No bordado, distingue-se também o bordado livre (trabalhado sobre um motivo riscado ou um decalque no tecido) e o bordado sobre fios contados (trabalhado sobre um número exacto de fios, pela contagem de fios do próprio tecido).

NOTA 2

Técnica Manual

Não deverá puxar o fio com demasiada firmeza. Exerça apenas a tensão necessária, ao puxar o fio, para que os pontos não fiquem muito apertados junto ao tecido e o deformem. Deve usar fios que não excedam os 50 cm pois, como o fio irá ser puxado várias vezes através do tecido, este tem tendência a desfiar-se e a enrolar-se.

Outro aspecto a ter em consideração é a necessidade de esticar bem o tecido no ponto onde estiver a bordar e para isso deverá fazer uso de um bastidor. Mas, apesar deste servir para esticar o tecido, deve colocá-lo com o máximo cuidado para não danificar nem o tecido nem mesmo o bordado.

Tente bordar num lugar que seja bem iluminado pois, por se tratar de um trabalho de minúcia, faz “cansar” a vista!

NOTA 3

Cuidados do Bordado

Não são raras as vezes em que o bordado, na lavagem ou apenas com o passar do tempo, desbota para o tecido na área circundante ao bordado, especialmente as cores mais escuras. Mesmo quando se trata de um bordado encerrado numa moldura. Mas, também pode acontecer o contrário e ser o tecido a desbotar para o seu bordado.

De ambas as formas, antes de emoldurar o seu bordado ou de o pôr a uso, lave a peça à mão com produtos concebidos para roupas delicadas e com água fria ou tépida. Uma vez lavada, estique a peça e enrole-a numa toalha para absorver o excesso de água. Depois de seca, passe-a a ferro com o bordado virado para baixo e cubra a peça com um pano de passar.

Tenha também em atenção que se o seu bordado ficar exposto a uma luz solar intensa (ex: cortinas), a cor deverá perder, naturalmente, a sua intensidade.

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BÁSICO DO BORDADO

Como referido anteriormente, existem centenas de pontos diferentes para bordar, que resultam em variados efeitos. Aqui ficam alguns dos pontos mais comummente utilizados no bordado e, a partir destes, poderá começar alguns trabalhos e explorar outros pontos.

PONTO DE CETIM

O ponto de cetim (também conhecido por ponto cheio) é um ponto de preenchimento. O efeito de preenchimento uniforme só é possível se fizer pontos curtos pois pontos longos tendem a ser puxados. Assim, tente fazer os pontos não muito compridos e se a área do desenho traçado for grande, divida-a em partes mais pequenas.

Poderá também fazer algumas variações a este ponto, fazendo-o apresentar um efeito de relevo. Para isso, terá que alinhavar o contorno do desenho, por baixo do ponto de cetim.

NOTA: Inicie e remate o bordado, disfarçado alguns centímetros do fio por baixo do mesmo.

PONTO DE CRUZ

Este ponto é formado por dois pontos rectos cruzados um em cima do outro, podendo variar o ângulo entre os mesmos. Para que no final do seu trabalho, o conjunto de pontos apresente um aspecto harmonioso deverá tentar cruzar os pontos sempre do mesmo modo. Antes de começar, defina onde deverá começar no tecido, contando o número de pontos (horizontais e verticais) que tem a figura que irá bordar para garantir que não ficará cortada ou fora do lugar.

Tome nota que antes de iniciar um trabalho em ponto cruz deverá certificar-se que o motivo que pretende bordar vai caber no espaço que dispõe. O espaço para este tipo de bordado já está predefinido sabendo que cada cruz formada por um ponto corresponde a dois “furos” seguidos (em ambas as direcções) e assim, deverá contar no esquema que dispõe, o número de pontos que terá que fazer e depois contar grupos de dois “furos” no tecido. Outro aspecto importante é centrar o motivo, principalmente quando pretende fazer um quadro! Se já tiver a certeza que no tecido que dispõe vai caber o motivo que quer bordar, pode centralizar o trabalho dobrando o tecido em quatro partes e fazendo uma vinca no bico que corresponde ao interior do tecido, ficará a saber onde é, aproximadamente, o seu centro. Comece a bordar nesse mesmo ponto o centro do motivo.

NOTA: Inicie e remate o bordado, disfarçado alguns centímetros do fio por baixo do mesmo.

PONTO DE CADEIA

O ponto de cadeia é um ponto muito utilizado como forma de contorno mas também pode ser usado para preencher uma determinada área do desenho.

Tente fazer os pontos curtos e mais ou menos do mesmo comprimento.

NOTA: Inicie e remate o bordado, disfarçado alguns centímetros do fio por baixo do mesmo.

PONTO DE HASTE

Assim como o ponto de cadeia, também o ponto de haste é um ponto de contorno e também ele pode ser utilizado como preenchimento. Mas o seu efeito visual é diferente.

Também neste caso, tente fazer pontos curtos e aproximadamente do mesmo comprimento.

NOTA: Inicie e remate o bordado, disfarçado alguns centímetros do fio por baixo do mesmo.

PONTO DE NÓ

Este ponto (também conhecido por nozinhos franceses) serve para criar uma determinada textura no seu bordado. São pequenos pontos em alto relevo que dão outra dimensão ao bordado.

NOTA: Inicie e remate o bordado, disfarçado alguns centímetros do fio por baixo do mesmo.

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OUTRAS TÉCNICAS

BORDAR TAPEÇARIA

A tapeçaria bordada é uma técnica artesanal já muito antiga. Existem, espalhadas um pouco por todo o mundo, várias relíquias destes artefactos que testemunham este trabalho artesanal feito pelos nossos antepassados. Um desses exemplares é a famosa tapeçaria de Bayeux, que remonta ao século XI e conta um evento importantíssimo da história daquele lugar em lã.

Os bordados em tapeçaria executam-se, normalmente, sobre talagarça, juta ou serapilheira e existe uma variedade de pontos de bordado que são aplicados, como por exemplo ponto florentino ou o ponto gobelin.

Mas há um ponto que nos é familiar por ser proveniente de uma freguesia portuguesa que lhe dá o nome: o ponto de Arraiolos.

Este ponto é uma versão do ponto cruz, que se distingue apenas no modo como se cruzam os pontos rectos e no espaçamento entre eles. Assim, a cruz correspondente ao ponto de arraiolos, apresenta a mesma altura mas não o mesmo comprimento.

 

Tanto no início como no remate, disfarce o fio por baixo de uns 4 pontos de arraiolos.

Chamaremos ao tipo de material que utilizar de tela. Assim, determine o centro da sua tela e, com um lápis de carvão, marque os eixos em todo o seu comprimento e largura. Conte os pontos e certifique-se que o tapete que pretende fazer “cabe” no tecido que tem, contando com uns 20 a 25 cm de folga que deverá deixar, em toda a volta, para depois fazer a bainha.

Este tipo de bordado compreende seis etapas distintas e sequenciais:

1º bordar os contornos do tapete, em todo o comprimento e em toda a largura;

2º bordar os contornos dos motivos decorativos do tapete;

3º bordar de forma a preencher os motivos decorativos que foram anteriormente contornados;

4º preencher, bordando os espaços entre os motivos (nota: sempre na horizontal);

5º humedecer e esticar bem o tapete, deixando que este seque numa superfície lisa;

6º depois de seco, fazer a bainha a toda a volta, eliminando o excesso de tela e aplicar a franja (se for o caso).

BAINHAS ABERTAS

O ponto Ajour é o ponto utilizado para fazer a base daquilo a que chamamos de “bainhas abertas”. Estas consistem numa forma de trabalhar os fios da urdidura e da trama que compõem um tecido, criando efeitos muito simples ou bastante complexos.

Designa-se por bainhas porque, normalmente, estas são trabalhadas a partir da costura dobrada em torno das extremidades do tecido. Mas, estas também podem ser feitas em outras partes do tecido e de variadas formas.

Antes de começar a trabalhar a bainha aberta, tem que medir a toda a volta do tecido, a margem que quer deixar e,  logo de seguida, a altura da barra que quer fazer. Para abrir essa mesma barra, terá que cortar (cuidadosamente!!!) um determinado número de fios da trama ou da urdidura do tecido (normalmente linho) e puxá-los de forma a criar uma barra de fios “soltos” dispostos na vertical (esta operação tem que ser feita com muito cuidado para não cortar ou romper fios que não era suposto serem cortados).

 

Agora, com os fios todos puxados, já se podem começar a trabalhar as “bainhas abertas”. Como foi dito, anteriormente, o ponto Ajour é o ponto base das bainhas abertas. Este ponto, bordado na parte mais externa da barra construída, para além de criar o efeito pretendido, vai também servir de costura para a margem do tecido (não chamei bainha para que não se confunda com a bainha aberta). Assim, alinhave a margem do tecido e faça o ponto Ajour de modo a unir a margem à barra desfiada.

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PROJECTOS DE BORDADOS