BREVE HISTÓRIA DO TRICOT

O tricot é uma arte milenar que, ao que tudo indica, teve origem algures no Médio Oriente.

Os exemplares mais antigos, referentes a esta técnica, foram encontrados no Egipto, apresentando já alguma complexidade e coloração da lã.

 Quando esta técnica chegou à Europa, teve uma maior expressão nos países nórdicos. Posteriormente, com a revolução industrial, esta prática passou a ser apenas um hobby. No entanto, em alguns países da América do Sul, o tricot e a exploração de lã animal representam um papel muito importante na sua economia.

Z

MATERIAIS E UTENSÍLIOS

Utensílios de Tricot | Fabric Trait

UTENSÍLIOS PARA TRICOT

Para iniciar qualquer projecto de tricot terá que possuir,necessariamente, um par de agulhas de tricot.

Para além do essencial, também necessitará de uma tesoura e de uma fita métrica (indispensável para medir uma amostra, assim como o comprimento da peça tricotada).

Existem muitos outros acessórios que podem auxiliar nesta prática ou até permitir criar determinados efeitos na malha produzida. Entre estes acessórios estão: o fixador de malhas (mantém em suspenso as malhas que não estão a ser tricotadas); o contador de malhas ou de carreiras (permite a contagem das malhas ou carreiras à medida que o trabalho avança); a agulha de lã (com uma ponta arredondada, serve para coser as várias partes de uma peça de tricot); a agulha para entrançados (serve para criar um feitio de trança em relevo); a agulha auxiliar (mantém em suspenso um grupo de malhas enquanto se executa um entrançado); o calibrador de agulhas (permite determinar qual o calibre de uma agulha).

 

AGULHAS DE TRICOT

Existem três tipos de agulhas de tricot: as agulhas de ponta única (agulhas padrão), as agulhas de ponta dupla e as agulhas circulares (unidas por um cabo). Cada uma destas é aplicada de acordo com o objectivo final. Estas podem ser feitas de variados materiais (madeira, bamboo, fibra de carbono, metal e plástico) e podem apresentar variados calibres e comprimentos.

Aqui fica uma tabela com as conversões de alguns calibres que as agulhas de tricot podem apresentar (nota: podem existir algumas variações na correspondência, conforme a marca das agulhas):

Agulhas de Tricot
SISTEMA MÉTRICO (mm)SISTEMA AMERICANO
(US)
SISTEMA INGLÊS
(UK)
2.00014
2.25113
2.501.5---
2.75212
3.00---11
3.25310
3.504---
3.7559
4.0068
4.5077
5.0086
Agulhas de Tricot (cont.)
SISTEMA MÉTRICO (mm)SISTEMA AMERICANO
(US)
SISTEMA INGLÊS
(UK)
5.5095
6.00104
6.5010.53
7.0010.752
7.50---1
8.00110
9.001300
10.0015000
12.0017---
15.0019---
20.0036---

FIOS DE TRICOT

Assim como as agulhas, também os fios de tricot podem ser de variados materiais (fibras de origem animal, vegetal ou sintéticas e combinações de fibras) e apresentam-se com diferentes espessuras.

Os fios de tricot podem ser comprados tanto na forma de novelo como na forma de meada e, normalmente, vêm acompanhados por um rótulo.

Este rótulo contém as instruções de lavagem, o calibre das agulhas a utilizar, o peso, o comprimento, a composição e um código associado à cor (que depende da marca).

A marca e o código da cor é importante guardar em caso de ser necessário comprar a mesma linha para terminar um trabalho.

Fios de Tricot | Academia Fabric Trait

NOTAS DO TRICOT

NOTA 1

Terminologia do Tricot

Existe uma terminologia associada ao tricot que deverá conhecer antes de iniciar o seu tricot. Este conhecimento vai-lhe permitir interpretar correctamente os esquemas e diagramas que possa querer fazer.

Como existem disponíveis um grande número de esquemas em inglês, aqui ficam alguns termos e abreviaturas que poderá encontrar e a sua correspondência em português.

 InglêsPortuguês
altalternatealternar
begbegincomeço/começar
betbetweenentre
BObind offdesmontar as malhas da agulha
CCcontrast colorcor de contraste
cncable needleagulha circular
(ag circ)
COcast onmontar as malhas
decdecreasediminuir (dim)
dpndouble pointed needleagulha de duas pontas (ag 2p)
flfront looplaço frontal
follfollow/followingseguir/seguinte (seg)
incincreaseaumentar (aum)
k ou Kknitmalha de meia (mm)
kwiseknit wisecomo meia (cm)
Lleftesquerdo (esq)
l ou lplooplaço/argola (arg)
LHleft handmão esquerda
(refere-se à mão não dominante)
m1make one stitchfazer uma malha (1m)
MCmain colorcor principal
p ou Ppurlmalha de liga (ml)
pmplace markermarcação
poppopcornborboto
prevpreviousanterior (ant)
pssopass slipped stitch overmalha passada por cima
pwisepurl wisecomo liga (cl)
Rrightdireito (dir)
remremainmanter
reprepeatrepetir/repetição (rep)
revreverseao contrário
 InglêsPortuguês
RHright handmão direita
(refere-se à mão dominante)
rowrowcarreira (carr)
skskipsaltar
slslippassar (pas)
ststitchponto
St ststockinette stitchrefere-se ao ponto jersey
tblthrough back looppor trás do laço
tflthrough front looppela frente do laço
togtogetherjuntos
WSwrong sidelado avesso
wyibwith yarn in backcom o fio para trás do trabalho (ftt)
wyifwith yarn in frontcom o fio para a frente do trabalho (fft)
yoyarn overlaçar ou laçada (laç)
yrnyarn around needlefio em torno da agulha (laçado)
yonyarn over needlefio sobre a agulha
[ ]work instructions within brackets as many times as directedas instruções entre parênteses rectos explicam uma técnica ou o processo a fazer num determinado ponto
( )work instructions within parentheses as many times as directedas instruções entre parênteses curvos devem ser repetidas o número de vezes indicado
* *repeat instructions between asterisks as many times as directed or repeat from a given set of instructionsas instruções entre asteriscos devem ser repetidas tantas vezes quantas permitir o número de malhas que estão na agulha da mão não dominante
''inche(s)1'' = 2,54 cm

NOTA 2

Simbologia do Tricot

Para além dos termos, existe também uma simbologia associada ao tricot. No entanto, embora existam muitos esquemas de tricot disponíveis a partir de muitos países, os símbolos do tricot não estão normalizados. Mas, felizmente, muitos deles têm a legenda e é essa que deve seguir se for executar esse trabalho. De qualquer modo, ficam aqui alguns dos símbolos mais encontrados em esquemas de tricot e as respectivas correspondências. Os esquemas devem ser sempre lidos de baixo para cima.

Símbolos
Alguns dos símbolos mais usados no tricot
st1_01_01malha de meia
simbolosTricot__02malha de liga
simbolosTricot__003malha de meia no fio de trás
simbolosTricot__004malha de liga no fio de trás
simbolosTricot__007malha passada como liga com o fio por trás
simbolosTricot__008malha passada como liga com o fio pela frente
simbolosTricot__009laçada
simbolosTricot__35borboto
simbolosTricot__41não tricotar
simbolosTricot2_27malha dupla
simbolosTricot2_17cruzar à direita 2 malhas de meia
simbolosTricot2_23cruzar à esquerda 2 malhas de meia
Símbolos (cont.)
Alguns dos símbolos mais usados no tricot
simbolosTricot__011aumento levantado à direita
simbolosTricot__10aumento levantado à esquerda
simbolosTricot__282 malhas de meia juntas
simbolosTricot__342 malhas de meia juntas por trás
simbolosTricot__402 malhas de liga juntas
simbolosTricot__462 malhas de liga juntas por trás
simbolosTricot__29malha de meia, liga e meia na mesma malha
simbolosTricot__22aumento intercalar invisível
simbolosTricot__006malha alongada simples
simbolosTricot__05malha acavalada simples
simbolosTricot__11malha acavalada dupla
simbolosTricot__47instruções especiais (explicadas à parte)

NOTA 3

Técnica Manual

A forma como irá segurar as suas agulhas e a tensão que irá criar no manuseamento do fio, são importantíssimos para uma boa técnica na arte de tricotar. Mas nada que um pouco de prática não resolva!

Não existe uma forma correcta de segurar as agulhas. Deverá segurá-las no interior das suas mão, conforme lhe for mais cómodo. No entanto, deve manuseá-las com alguma destreza.

A tensão exercida sobre os fios deve ser regular e moderada. Isto é, uma tensão regular fará com que as malhas produzidas apresentem todas a mesma altura, e uma tensão moderada permitirá que as malhas sejam trabalhas com facilidade mas sem ficarem demasiado lassas. Para criar a tensão correcta, terá que entrelaçar o fio à volta dos seus dedos e encontrar a melhor forma que resulta para si.

N

BÁSICO DO TRICOT

Existem dezenas de pontos de tricot que poderá aprender e explorar mas não sem antes conhecer alguns passos básicos para poder pôr o seu tricot em marcha.

NÓ DAS MALHAS (CORREDIO)

Quando requerido, este nó representa o primeiro ponto da cadeia de pontos que irá trabalhar na sua agulha. Poderá fazer este nó com a ajuda de uma agulha ou, simplesmente, com as mãos.

Nota: dependendo do trabalho que estiver a executar, poderá ser necessário deixar um comprimento de fio razoável. De qualquer modo deve deixar sempre alguns centímetros de fio no começo do seu trabalho (cerca de uns 15 cm).

MONTAR AS MALHAS

Na montagem das malhas você irá construir a primeira fileira de malhas na sua agulha. Para executar esta etapa, existem vários métodos diferentes que resultam, também eles, em diferentes efeitos visuais. Aqui ficam dois métodos diferentes de o fazer: a montagem simples (método do polegar) e a montagem à italiana (montagem dupla).

MONTAGEM SIMPLES

Neste método utiliza-se apenas uma agulha e requer um nó corredio. As malhas são montadas na agulha logo após o nó, usando apenas o fio que vem do novelo para o fazer.

MONTAGEM À ITALIANA (OU DUPLA)

Neste método, tal como o anterior, também se utiliza apenas uma agulha e também requer um nó corredio. Como diferença do anterior, as malhas são montadas na agulha logo após o nó mas são necessários o fio que vem do novelo e a ponta do novelo para o fazer. Portanto, quando fizer o nó corredio deverá deixar ficar o comprimento necessário para fazer o número de malhas que pretende montar na sua agulha e mais alguns centímetros para depois poder rematar o fio e não ficar à justa.

MALHA DE MEIA

A malha de meia (revesilho) é uma das duas malhas elementares do tricot. Como característica, esta malha é sempre feita enfiando a agulha pela “parte de trás da argola” da primeira malha que se encontra na agulha contrária. Para além disso, depois do passo anterior, as agulhas vão se cruzar em forma de “X”, ficando a agulha da mão dominante (a que está vazia) pela parte de trás desse “X”.

A tensão do fio deve ser gerida pela parte de trás do trabalho, pela mão que lhe der mais jeito (a mão que lhe permitir fazer o seu trabalho de forma mais cómoda e uniforme).

MALHA DE LIGA

A malha de liga é corresponde à outra malha elementar do tricot. Como característica, esta malha é sempre feita enfiando a agulha pela “parte da frente da argola” da primeira malha que se encontra na agulha contrária. Para além disso, depois do passo anterior, as agulhas vão se cruzar em forma de “X”, ficando a agulha da mão dominante (a que está vazia) pela parte da frente desse “X”.

A tensão do fio deve ser gerida pela parte da frente do trabalho, pela mão que lhe der mais jeito (a mão que lhe permitir fazer o seu trabalho de forma mais cómoda e uniforme).

PONTOS DO TRICOT

Existem dezenas de pontos de tricot, que resultam da combinação tricotada entre malhas de meia e malhas de liga (basicamente, pode dizer-se que variam entre estas duas técnicas, a posição do fio relativamente ao trabalho e à posição das malhas). Três dos pontos base do tricot são: o ponto mousse (ou de jarreteira), o ponto de jersey e o ponto canelado.

PONTO DE MOUSSE

O ponto mousse representa o ponto mais simples do tricot. Depois de tricotado, resulta numa superfície ondulada mas regular e com alguma elasticidade. A sua aparência é idêntica em ambos os lados do trabalho.

Número de malhas: qualquer número.

Nota: se fizer todas as carreiras com malha de liga obterá um resultado idêntico.

PONTO DE JERSEY

Este ponto é muito utilizado na confecção de vestuário. É um dos pontos mais usados no tricot e resulta da alternância das malhas de meia e de liga em todas as carreiras. O ponto jersey apresenta uma superfície lisa (geralmente considerada como o lado certo do trabalho) e uma superfície ondulada.

Número de malhas: qualquer número.

 

PONTO CANELADO

O ponto canelado é frequentemente utilizado para fazer coses, de golas e punhos ou cercaduras, mas também pode compor uma peça inteira de tricot. Este ponto forma linhas verticais em alto relevo em ambos os lados do trabalho tricotado e apresenta uma grande elasticidade.

Número de malhas: canelado 1/1 = múltiplos de 2 / canelado 2/2 = múltiplos de 4.

Nota: tenha em atenção que, na carreira seguinte (quando voltar seu trabalho), terá que fazer coincidir as malhas tricotadas anteriormenteOu seja, no lado avesso tem que tricotar como liga as malhas que se apresentam como liga e tricotar como meia as malhas que se apresentam como liga.

DESMONTAR AS MALHAS

De uma agulha passa para a outra, da outra passa para outra… e chega um momento em que nos queremos livrar das agulhas e terminar o nosso trabalho!

Para isso, e assim como existem variadas formas de montar as malhas na agulha, existem variadas formas de desmontar as malhas da agulha e finalizar o seu projecto.

REMATE SIMPLES

O remate simples é, como o nome indica, a forma mais simples de rematar a sua peça de tricot. Este tipo de remate, resulta numa orla bastante firme.

Após terminar qualquer peça, fixe cuidadosamente o fio para o seu trabalho não se desfazer.

O que tem que fazer é cortar uns centímetros de fio e puxá-lo pelo interior da última malha. Depois de ter puxado o fio, tente dar um nó nesta última malha (para isso pode também recorrer a uma agulha de tapeçaria, se lhe der mais jeito).

Depois de garantir que o trabalho não se vai desfazer, disfarce o fio pelo interior da margem lateral do seu trabalho com a ajuda de uma agulha de tapeçaria (com ponta arredondada).

L

OUTRAS TÉCNICAS

ENTRANÇADOS

As famosas “tranças” ou “cordas” das camisolas de inverno correspondem a um tipo de ponto fantasia, muito apreciado no tricot.

Normalmente, o que acontece é a troca de posição de quatro ou mais malhas, que ficam “suspensas” numa agulha auxiliar, de duas pontas ou para entrançados.

Esta troca de posição das malhas fará com que se crie um alto relevo na peça tricotada (mais visível se as malhas forem trabalhadas como malha de meia sobre um fundo de malha de liga), dando o desejado efeito de um entrançado.

TORCIDO SIMPLES (INCLINADO À DIREITA)

O ponto exemplificado resulta da torção, à direita, de seis malhas.

Se as malhas transferidas para a agulha auxiliar ficarem pela parte da frente do trabalho, a torção produz-se para a esquerda.

Esta troca de posição das malhas terá lugar a cada quatro, seis, oito ou mais carreiras, conforme seja o seu desejo de que estas apareçam muito ou pouco torcidas.

TRICOTAR COM CORES

No tricot, é possível trabalhar com vários fios de cores diferentes (jacquard) e criar inúmeros motivos e efeitos.

Para tricotar uma peça com cores diferentes, existem métodos diferentes, uns mais complexos que outros, que variam conforme a exigência do motivo escolhido.

QUANDO A COR NÃO SE ALTERA AO LONGA DA MESMA CARREIRA

Quando o motivo se repete em toda a largura da peça, como é o caso das riscas horizontais, faz-se uma alternância das cores escolhidas pela margem lateral, no final da última carreira de cada cor.

– Se a cores escolhidas corresponderem a cinco ou menos carreiras consecutivas

Neste caso, os fios não precisam de ser cortados e podem alternar-se as cores pela da margem lateral da peça.

– Se a cores escolhidas corresponderem a mais do que cinco ou menos carreiras consecutivas

Neste caso, os fios terão que ser cortados no final da última carreira de cada cor (deixando sempre um comprimento razoável para poder ser disfarçado pela margem lateral e evitar que se desfie) e é necessário voltar a ligar os novelos à peça, quando a cor voltar a ser requerida.

QUANDO A COR SE ALTERA AO LONGA DA MESMA CARREIRA

Por vezes os motivos escolhidos exigem que se façam mudanças de cor na mesma carreira. Quando assim é, existem três formas diferentes de o fazer que se aplicam de acordo com esse mesmo motivo.

– Se as cores se alteram uma vez na mesma carreira

Estes motivos são geralmente trabalhos em ponto de jersey e as mudanças de cor fazem-se na carreira de liga, cruzando os fios das duas cores diferentes, de forma a que não se formem orifícios na sua peça de tricot.

– Se as cores se alteram frequentemente na mesma carreira – com espaços inferiores a 5 malhas

Nestes casos, o método escolhido é o do fio estendido sobre o avesso. Enquanto tricota uma cor, o fio que não está a ser utilizado vai ficando estendido pela parte de trás do trabalho. Este fio deve ficar um pouco lasso, de modo a que as malhas não fiquem repuxadas.

Pode executar este método usando as duas mãos: enquanto uma tricota, a outra estende o fio.

– Se as cores se alteram frequentemente na mesma carreira – com espaços superiores a 5 malhas

Nestes casos, o método escolhido é o do fio tecido pelo avesso. Esta técnica entrelaça nas malhas o fio que não está a ser trabalhado. Este fio é conduzido alternadamente por cima e por baixo das malhas.

Caso o motivo tenha espaços inferiores a cinco malhas e outros superiores a cinco malhas, podem se empregar estes dois últimos métodos combinados.

Pode executar este método usando as duas mãos: enquanto uma tricota, a outra vai entrelaçando o fio entre as malhas.

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PROJECTOS DE TRICOT